NÃO ÀS QUEIMADAS, PONTO FINAL.

Um escritório que se destaca pelas práticas de sustentabilidade que adota em seus espaços próprios, bem como pelo apoio a projetos e programas sociais e ambientais, não pode silenciar nessa hora. Não há política de desenvolvimento que justifique o grande incêndio que tomou conta do Região Amazônica. Ridícula, para dizer o mínimo, a atribuição da responsabilidade por isso às organizações não governamentais; ou a disseminação de teorias conspiratórias sobre o suposto interesse dos USA e de países europeus nas riquezas inexploradas da Região Norte. A invocação da soberania nacional é uma cortina de fumaça (figura de linguagem bem a propósito) para ocultar a crua realidade de atividades exploratórias primitivas: a Amazônia (ou melhor, a parte dela em território nacional) é e continuará sendo brasileira, mas é dever dos brasileiros protegê-la. 

Para isso, mais do que aceitar ajuda internacional, é preciso, sim, exigir a efetiva implantação de transferências, pelos países desenvolvidos, de recursos financeiros e tecnológicos voltados à preservação e ao manejo sustentável da floresta, assim como ao fomento e estímulo de atividades econômicas que a exploram de forma racional sob as óticas ambiental, social e econômica. É preciso, de uma vez por todas, implantar para valer o chamado pagamento por serviços ambientais – PSA, serviços que são os prestados pela própria natureza ao homem. Não se quer esmola, mas contrapartida pela preservação de um patrimônio que é brasileiro, mas que beneficia a todos. Trata-se, no jargão econômico, de uma externalidade positiva, a ser remunerada pelos que dela fruem, ou seja, por toda a humanidade, de hoje e de amanhã. 

E o problema, está claríssimo, não é apenas de ordem ambiental e social, mas também econômica. Uma riqueza imensurável é destruída do dia para a noite: todas as potencialidades da floresta virgem. O agronegócio brasileiro, boa parte do qual adota práticas de sustentabilidade sócio-ambiental, corre o risco de ver-se manchado por muito tempo no cenário internacional, perdendo, de uma hora para outra, mercados conquistados com tanta dificuldade. Isso para não falar do acordo de livre comércio Mercosul-União Européia, que está soçobrando.  

Por fim, a proposital desarticulação das atividades fiscalizatórias voltadas à proteção do meio ambiente, não só na Região Amazônica, mas em todo o país, é um crime ambiental por omissão.

Leonardo Sperb de Paola e Alessandro Panasolo

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